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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Autorretrato é notícia no portal da Ufal

Exposição realizada durante a Bienal do Livro de Alagoas vira notícia na página da Universidade Federal de Alagoas. Confira:


Um segundo olhar sobre Alagoas

Mostra Autorretrato Nordeste, com fotos de jovens alagoanos feitas em comunidades do interior do Estado, marca presença na Bienal do Livro 

“Eu não sabia que a minha cidade era tão bonita”. A frase dita por um das participantes do Autorretratos- o Nordesteque é a nossa cara, representa bem a essência do projeto. Com vinte câmeras digitais na bagagem, o projeto percorreu várias cidades do interior de Alagoas dando oficinas de fotografia para jovens de 12 a 18 anos com o intuito de mostrar através de registro fotográfico traços da cultura de comunidades tradicionais.

Com o básico de conhecimento técnico, os alunos saem à campo para treinar o olhar e retratar a própria cidade. Lugares e pessoas que pareciam desinteressantes, passam a ser visto sob uma nova perspectiva.

“Eles saem para tirar as fotos e voltam falando como não tinham percebido como suas cidades são bonitas, eles passam a reparar nos detalhes. Não é a questão do equipamento, da câmera em si, mas é a questão do olhar”, diz Patrícia Machado, jornalista que coordena o projeto junto com Waldson Costa .

O projeto patrocinado pelo BNDES, através do programa BNB de Cultura, percorreu ao longo deste ano cinco municípios: Marechal Deodoro Piranhas,Tatuamunha, União dos Palmares, Feira Grande, Em cada cidade, foram selecionadas 20 jovens oriundos de escolas públicas e associações comunitárias para participarem do projeto. Todos recebem suas fotos em cd e posteriormente o projeto volta às cidades com as melhores fotos impressas.

“Nós queremos que eles saibam identificar os aspectos culturais do lugar onde vivem. Nós tivemos um retorno maior em Piranhas e em Marechal Deodoro onde os jovens já sabiam quais pontos, lugares, pessoas eles queriam fotografar”, lembra Patrícia.

As fotos passaram por uma seleção e agora 30 delas estão sendo expostas na V Bienal Internacional do Livro, que acontece até o domingo (30) no Centro de Convenções Ruth Cardoso. O público visitante tem a oportunidade de votar em suas fotos favoritas.

As imagens vencedoras serão transformadas em cartões postais. “Nós tivemos até agora mais de 1000 pessoas que já passaram por aqui e votaram. Elas deixam o endereço e nós mandaremos estes postais para elas. Enquanto isso em suas cidades os meninos estão ansiosos para saber quais fotos virarão postais”.

Quem vier à Bienal neste domingo pode escolher suas fotos favoritas que estão expostas em frente ao auditório Audálio Dantas (sala de vidro).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reportagem

A melhor maneira de enxegar
As atividades do projeto Autorretrato foi notícia, no domingo 25/10, no caderno de cultura "Diversão e Arte" do jornal Tribuna Independente. Com a reportagem "A melhor maneira de enxergar", do jornalista e editor João Dionisio Soares. Confira!

Imagens do caderno D&A, da Tribuna Independente de 25/10/2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reportagem

Matéria publicada no dia 6 de setembro no caderno de Municípios do O JORNAL





quinta-feira, 30 de abril de 2009

Secretário de Cultura de Maragogi fala sobre as potencialidades de sua região


Jadson Almeida ainda quer executar projetos ousados, como oficinas de aptidão para crianças e o registro dos patrimônios imateriais do município

“Só se cria expectativas quando há dúvidas”. Essa é uma das frases que foram ditas num bate papo com o secretário de Cultura de Maragogi. Jadson Almeida, o Jacó, como é conhecido por todos, diz que ao saber que o projeto Autorretrato escolheu as crianças de Barra Grande para as oficinas, percebeu que essa era uma grande oportunidade para iniciar um processo de descoberta de talentos, entre os estudantes da comunidade. Responsável pela pasta de cultura desde janeiro, Jacó sabe das limitações e das dificuldades para tocar uma secretaria num município onde às potencialidades são atribuídas apenas ao turismo. “Sei que os folguedos de Maragogi já foram por demais desgastados, nunca contaram com apoio nem o respeito devido, mas quero mudar essa realidade”, confessa.

O secretário elaborou um plano de ação ousado para sua gestão. “No meu projeto estão incluídos cursos de aptidão, quero que as crianças descubram seus talentos, mas para isso é preciso contato, farei todo o possível para dar continuidade e estimular propostas que estejam voltadas para elas”, explica. Um ponto importante salientado por Jacó foi à relação entre identidade cultural local. “A televisão foi uma invenção maravilhosa, mas tira as pessoas do ar, o que é até contraditório. É preciso que os cidadãos questionem sobre sua identidade natural e os seus papéis nas comunidades onde residem, infelizmente, muitos habitantes de Maragogi ainda não sabem explorar as potencialidades que nossa terra possui”, confessa.

Objetivos para a gestão – O secretário pretende durante sua gestão, entre outras atividades, fomentar produções voltadas para o público infantojuvenil, através de oficinas e cursos de teatro, artesanato, além das mídias digitais. Jacó quer ainda deixar registrado como patrimônios imateriais os folguedos do samba de matuto e do bumba meu boi.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Na mira da tecnologia

Professora Aurenita mostra a fotografia para sua filha - Imagem da colaboradora Carolina Cabral

Enquanto as crianças descobrem ferramentas do mundo digital, a geração mais velha quer aprender a navegar pela era virtual para trocar informação e conhecimento

“No meu tempo as coisas não eram tão fáceis como agora”, diz a professora Aurenita Pimenta. Curiosa tal e qual os pequenos, a paciente senhora participou ativamente das oficinas e ainda arriscou produzir algumas imagens. “Fico vendo tudo, não é tão difícil quanto parece”, declarou. A professora, assim como todas as suas colegas de ofício do povoado de Barra Grande fazem parte de um perfil da geração social que precisa voltar a ocupar as salas de aula como estudantes, para conhecer o que a tecnologia é capaz de oferecer, principalmente para acompanhar a linguagem a nova geração, que não para de avançar. “Antigamente minha filha queria uma bicicleta, hoje ela me pede um computador”, fala Aurenita, animada ao lado da filha. “Agora não é só ela que quer, eu também estou bastante interessada em aprender como navegar na internet e usar a máquina”, contou.

Para a diretora da Escola Esperidião Durval, Lindalva Rafael – que também não vê à hora de voltar à sala como aprendiz – a oportunidade dela, assim como a de todas as educadoras do povoado, está mais próxima de acontecer do que nunca. O programa Proinfo, do Ministério da Educação, deve instalar na comunidade nas próximas semanas, 20 computadores, sendo 10 em cada escola e todos com internet. O MEC ainda custeará um monitor para ajudar no aprendizado de programas, além de ensinar as crianças ferramentas de navegação. “Vamos nos juntar para tirar um tempinho para aprender, pegaremos no pé desse professor que já prometeu ajuda”, declarou a diretora, que contou com apoio de todas as professoras. “A ansiedade é geral, estamos cansadas de ficar de fora das novidades que só o mundo virtual oferece, fico boba só de ver como meu filho já sabe tudo enquanto eu ainda estou bem longe de compreender do que se trata”, disse a educadora Nazaré de Lima.


Educadoras vão ter acesso a computadores em breve - Foto da professora Aurenita Pimenta

Professoras e secretário de Cultura posam para as fotos - Imagem de um dos alunos

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crianças de Barra Grande descobrem folguedo


Uma das idealizadoras do pastoril de Maragogi conta como a casualidade transformou um coral num grupo de dançarinas de um dos folguedos mais tradicionais do nordeste. Novidade é aprovada e emociona os pequenos

Patrícia Machado

Que muitas das crianças envolvidas no projeto autorretrato não soubessem ou nunca tivessem manuseado um câmera digital tudo bem, os organizadores esperavam por isso. Mas o fato de que nenhum dos pequenos jamais tinha visto a apresentação de um folguedo bastante popular no nordeste, que existe e se apresenta em seu município há dois anos, pegou os coordenadores de surpresa. Organizado por duas mulheres que nunca experimentaram o prazer de dançar o pastoril durante suas infâncias, Cícera Ferreira e Marilene Cândido hoje se desdobram para manter viva a tradição de seus antepassados que ainda estão presentes, mas precisam passar adiante este conhecimento, para a brincadeira não cair no esquecimento.

O grupo – As senhoras acima frequentam e realizam atividades na mesma paróquia há muitos anos. “Esperava as crianças na porta da igreja para o ensaio do coral, quando Marilene passou e me cumprimentou. Comentei sobre a blusa azul que ela estava vestida, na mesma hora ela falou de minha camisa, que era vermelha. De repente, as duas pensaram sobre aquelas cores e veio a idéia: vamos criar um pastoril aqui!”, descreve Cícera, explicando que em seguida houve a elaboração do caderno de ouro, que serviu para batizar a criação do grupo e pedir ajuda financeira aos padrinhos, que assinaram atestando a contribuição para a compra das roupas das dançarinas. “Procuramos todas as pessoas da cidade, cada uma deu o que pôde”, diz Cícera. Ela ainda lembra que durante o primeiro ano aprendeu todas as músicas com dona Dudé, senhorinha considerada um dos patrimônios culturais imateriais de Maragogi e que infelizmente é pouco popular a nova geração. “Íamos para a sua casa fazê-la lembrar das cantigas, com um caderninho anotávamos tudo para passar as alunas”, lembra Cícera.

Um ano depois de muitas apresentações cantadas apenas no gogó, o pastoril ganhou um CD. “Com fundo musical fica mais fácil, as meninas não se esforçam tanto”, revela à organizadora, que na ausência da companheira Marilene observa todos os passos das pupilas. Perguntada sobre a popularidade do folguedo entre os pequenos, Cícera fica satisfeita e diz que ele é muito bem aceito entre as crianças. “Não temos dificuldade em encontrar meninas que se interessem pelo pastoril nem deficiência de público para prestigiar as apresentações”, relata. As maiores dificuldades do grupo são sem dúvida, a falta de incentivo dos gestores. Como não cobram cachê, tudo sempre depende de quanto se arrecada durante um evento. “Aceitamos qualquer quantia, o que vale é ajudar. Além da disputa de cordões – característica da brincadeira – está a vontade de manter e dar continuidade a esta manifestação cultural de nosso local”, declara Cícera. O pastoril é dançado o ano todo, mas é no período do natal e na festa do padroeiro da cidade, em abril, que o grupo realiza o maior número de apresentações.

Em Barra Grande – Os olhares curiosos para a novidade quebraram algumas expectativas que as crianças fizeram no que poderia significar pastoril. “Achava que era um pastor com ovelhas”, disse o pequeno Thierry dos Santos. Ao ser anunciada a apresentação e os fotógrafos preparados para atuar, houve total concentração de todos. As garotas foram retiradas da dança para posarem as lentes, as coreografias foram acompanhadas passo a passo, e os resultados podem ser conferidos nas quatro imagens selecionadas para a exposição. “Fiquei tão emocionado, com vontade de chorar”, revelou Miquéias Silva Santos. Ao final, muitos deles compreenderam a disputa dos cordões, e o papel das personagens no folguedo, alguns até declaravam com segurança suas preferidas. “Se tivesse 01 real colocava na cesta da florista”, disse Wesley Nascimento. As modelos fotografadas por nossos pequenos artistas não serão apenas vistas pelos outros, o grupo receberá um CD com as melhores poses captadas. Uma das maiores aspirações deste projeto é que todos os envolvidos se percebam personagens de seu próprio lugar e tempo. A satisfação sem dúvida é presenciar e colaborar para interações entre todas as conexões, usando a tecnologia para combinar a nossa diversa cultura popular, seja ela digital ou tradicional.
Imagem da colaboradora Marília Barbosa

Fotografia feita por um dos alunos